O que acontece com o dinheiro aplicado nos fundos da Reag após liquidação extrajudicial

Liquidação da Reag, agora CBSF, bloqueia fundos de investimento. Entenda o que ocorre com os recursos, resgates e próximos passos.

Ryan Davi

1/15/20262 min read

A liquidação extrajudicial da Reag, atualmente chamada de CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., provocou a suspensão do funcionamento e dos resgates dos fundos de investimento administrados pela empresa. A medida foi decretada pelo Banco Central e seguirá válida até que os cotistas definam uma nova administradora para os fundos.

Com a decisão, investidores que possuem cotas nesses fundos não podem sacar nem aplicar novos recursos. O bloqueio ocorre porque a Reag exercia o papel de administradora, responsável por executar ordens, processar resgates e cumprir obrigações regulatórias. Apesar disso, os fundos de investimento possuem CNPJ próprio e são juridicamente separados da empresa liquidada, o que significa que os ativos continuam existindo, ainda que temporariamente congelados.

Segundo especialistas, os fundos podem voltar a operar assim que os cotistas aprovarem, em assembleia, a contratação de uma nova administradora. Após a formalização da troca, os resgates voltam a ser permitidos. O valor a ser sacado corresponderá ao preço da cota no momento da liquidação, o que pode representar ganho ou perda em relação ao valor originalmente investido.

O risco aumenta caso nenhuma instituição aceite assumir a administração. Nessa hipótese, o Banco Central pode determinar a liquidação do próprio fundo, com a devolução dos valores aos cotistas conforme o patrimônio apurado. Especialistas alertam que produtos fora da estrutura tradicional de fundos, como produtos estruturados e operações diretamente ligadas à antiga Reag, podem sofrer impactos maiores, especialmente em casos sob investigação envolvendo o Banco Master.

A situação também reforça a importância de compreender os diferentes papéis dentro de um fundo de investimento. Enquanto o gestor define a estratégia e escolhe os ativos da carteira, o administrador executa as operações e responde às exigências legais. Há ainda o custodiante, responsável pela guarda dos ativos, função que pode ou não ser exercida pelo administrador.

Antes da mudança de nome, a Reag informava administrar cerca de 700 fundos, com patrimônio líquido aproximado de R$ 240 bilhões, ocupando posição de destaque no ranking da indústria. O caso reacende o debate sobre governança, transparência e o acompanhamento, pelos investidores, das instituições envolvidas na gestão de seus recursos.